Corpo...

Corpo... falando assim em terceira pessoa já impus uma distância potencialmente alienante, mesmo sem colocar o artigo definido na frente do termo. Na falta de emprego melhor da linguagem, vou indo. O corpo emprega a si mesmo como ação: mesmo respirando parado naquele estado semi comatoso do sono, ele é movimento perpétuo. Um corpo em repouso é uma matéria não viva em que algo vivo ocasionalmente pode imprimir toque e força... O corpo é ação: significado nada unívoco, não passa de perspectiva de onde vejo, contemplo, examino, escrutino, pressinto, prevejo, imponho sentido. Por isso, mesmo morto, o corpo ainda resiste em lampejos de sentidos advindos sabe de lá onde. Significados precisam dizer, escrever, secretar seus líquidos semânticos. O corpo merece ser esgarçado, enfeitado, ou mesmo objeto de indiferença como vestido de branco ou negro; de vinho branco ou rosé: performático, o corpo se espalha fogoso como se estivesse na rua em pleno carnaval. A alma, o eu, a consciência (ou o inconsciente), a razão... são ilusões balançando feito roupa no varal, prestes a cair na terra do quintal fedido de lama e merda de cachorro...

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